quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Bem mal acompanhada


Esteve sozinha por longos anos da minha vida, acompanhada. Rasguei tratados sem a menor opinião de ninguém e chorei minhas lagrimas de sangue, acompanhada. Vivi a vida depressa, gastei tudo que era meu. Minha alegria, meu pesar, minha dor, tudo gastei, acompanhada. Fui embora não olhei pra trás, vazia parte de mim todo esse drama. Estávamos lá eu e ela indo embora. Ela que sempre me acompanhou, sempre esteve comigo. Ela que era minha única certeza, meu único destino.
Por fim é chegada a hora de caminhar sozinha, digo lhe adeus.

A morte não é tão ruim assim, eu a conheço bem, esteve acompanhada.


Maria, 29/10 às 11:30.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Carta.

Não faz calor essa época do ano na Rússia, ainda assim meu corpo queima. Há poucas coisas a arranjar. Tomo minha ultima xícara de chá. Não sei se tenho coragem... Sim eu tenho.
A corda já está aqui e chama meu pescoço firmemente. Já não era eu quem praticava as ações do meu ultimo dia, era ela. Ultima olhada pela vidraça, era a noite fria russa.
Tempo para uma carta?... Deus receba meu corpo virgem e ingênuo e minha mente satânica; Receba o corpo abrasador e os olhos frios. Receba minha discordância, minha fé e minha juventude. Tome tudo, não quero mais nada..
E ainda existe quem a amaria assim, frígida dentro de um caixão.

Maria, 28/10 às 12h59min.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

te apresento...

Oi, eu sou a Maria.
Há tempos atrás eu era um corsário a procura de um tesouro sem bem saber onde estava nem o que era, apenas ia.
Descobrir embora tarde que às vezes o que nos queremos é não encontrar o que procuramos. Trai por muitas vezes minha tribulação, dilacerei vários corações em cada porto, deixei meu sangue em cada canto. Por fim sobraram-me poucos amigos, ausência de amores e qualquer saúde; Heureca, encontrei o meu tesouro!

Maria, 27/10 às 19h02min.