O seu sorriso foi negro e pálido. Passivo.
Que crime!
O meu sangue frio escorrendo pela sua pele quente – eu não imaginei morrer assim, mas desejei.
A dor era tanta que pedi a Deus baixinho, me tira a vida, Meu Deus em tira.
E não passou com o tempo não. Mentira de quem disse que passaria.
Deixa eu te descrever como fiquei inerte.
Tinha acabado de chegar de viagem longa, estava de camisa curta e peito aberto.
Dei-te o beijo de bom dia, como de costume.
Aí, pare bem ia, nessa cena. Isso é só o que você precisa saber.
Não quero te dizer da dor, da faca, nem dos passos que dei chorando caminhando pelo vazio.
Você me jogou lá, sua bondade me jogou sem dor nem piedade.
E eu te odeio tanto só de lembrar. Do meu sangue desesperado rumando ao chão.
Você deixa estar lá para ver a dor, a minha dor de traição.
Eu quero te fazer pagar por tudo isso, quero queimar usas coisas e ver seu sangue.
Quero dizer que te odeio, mas, só sei falar que te amo.
Deixa a ferida curar que eu volto para você.
Com meu peito aberto, com a cicatriz marcada e com a faca na mão, para eu te dar.
- Toma tua faca, me marca de novo!
Volto sem te chamar de amor, ou chamando menos.
Porque cada facada deixa escapar uma parte daquele amor louco, que vaza do meu peito, indo embora para nunca mais voltar!